Vereador Wanderlei da Qualiser fala sobre Projeto “Dra. Zilda Arns – Acolher é Cuidar” busca fortalecer o atendimento humanizado nos hospitais de São Roque
O vereador Wanderlei da Qualiser, presidente da Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara Municipal de São Roque, protocolou na quarta-feira, dia 7 de outubro, o Projeto de Lei nº 88/2026, denominado “Lei Dra. Zilda Arns – Acolher é Cuidar”. A proposta busca fortalecer o atendimento humanizado nos hospitais públicos e privados de São Roque, criando um ponto de referência para acolher, orientar e facilitar a comunicação com pacientes, acompanhantes e representantes.
A iniciativa nasceu do contato próximo com pacientes, familiares e munícipes que procuram o vereador e a Comissão de Saúde, além do acompanhamento permanente das demandas relacionadas ao atendimento hospitalar. Os próprios dados oficiais apresentados pela Saúde ao longo das prestações de contas demonstram, de forma reiterada e urgente, a necessidade de aperfeiçoar o acolhimento, a comunicação e a orientação aos usuários. Para Wanderlei, essa necessidade existe independentemente de o atendimento ocorrer em hospital público ou privado: em qualquer instituição, o paciente e sua família merecem respeito, informação e uma referência a quem recorrer.
Para Wanderlei, o ambiente hospitalar é um dos momentos em que qualquer pessoa, mesmo aquela considerada mais forte, pode se sentir fragilizada. “Quando uma pessoa chega ao hospital, muitas vezes está vivendo um dos momentos mais difíceis da sua vida. O paciente está preocupado com sua saúde e a família fica angustiada querendo entender o que está acontecendo. A ideia é que exista alguém preparado para acolher, ouvir, orientar e ser uma ponte entre o paciente, seus acompanhantes e os profissionais. Um suporte humano naquele momento de vulnerabilidade”, explica.
Pelo projeto, o colaborador de referência deverá estar facilmente identificado e preparado para orientar sobre o fluxo do atendimento, localização dos setores, encaminhamentos e demais informações que possam ser fornecidas dentro dos limites legais e profissionais. A proposta prevê acolhimento com escuta qualificada, empatia, cordialidade e linguagem simples e acessível. A forma de organização, escala e designação desse colaborador ficará a cargo de cada estabelecimento, sem criação de cargo ou imposição de categoria profissional específica.
O texto deixa claro que esse profissional não substituirá médicos, enfermeiros ou demais integrantes da equipe assistencial. Diagnóstico, prognóstico, classificação de risco, interpretação de exames e outras informações clínicas permanecem sob responsabilidade dos profissionais legalmente habilitados. A proposta pretende somar ao atendimento já existente, criando uma ponte de comunicação sem interferir nas atribuições técnicas de cada profissional.
Wanderlei destaca que o projeto foi pensado com respeito a todos os envolvidos. “Precisamos olhar com atenção para o paciente e para a família, que estão fragilizados e precisam de orientação, mas também para os profissionais da saúde, que muitas vezes estão diante de situações de urgência e têm como prioridade salvar vidas e prestar assistência. O acolhimento pode aproximar essas duas pontas, diminuindo a angústia de quem espera e ajudando a equipe a manter o foco no cuidado”, afirma.
Para o vereador, melhorar a comunicação não significa relativizar reclamações nem antecipar conclusões sobre situações que eventualmente precisem ser apuradas. Quando houver dúvidas sobre condutas ou possíveis falhas, existem órgãos, instrumentos e profissionais competentes para analisar os fatos, examinar documentos e definir, com responsabilidade e direito de defesa, o que ocorreu e quais providências são cabíveis. Ao Legislativo cabe fiscalizar, acompanhar e também transformar necessidades recorrentes em soluções permanentes.
“O trabalho público precisa ser feito todos os dias, com equilíbrio, respeito e responsabilidade. É preciso ouvir as pessoas, fiscalizar, buscar informações e construir soluções. Quando algo precisa ser apurado, deve ser analisado com seriedade por quem tem competência para isso. Ao mesmo tempo, temos a obrigação de olhar para aquilo que pode ser melhorado e trabalhar para prevenir novos problemas”, destaca Wanderlei.
A proposta recebeu o nome da médica pediatra e sanitarista Dra. Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Sua trajetória foi marcada pela dedicação à saúde pública, à proteção da vida e ao cuidado de crianças, gestantes, famílias, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Seu legado representa uma forma de cuidar baseada não apenas no conhecimento técnico, mas também na presença, na orientação, na escuta e no respeito à dignidade humana.
É esse princípio que inspira o projeto em São Roque. Para Wanderlei, dentro de um hospital, cuidar não se resume ao procedimento técnico. Significa também oferecer orientação, respeito e atenção a quem atravessa um momento de fragilidade. “Acolher também é cuidar. Nem sempre será possível dar naquele instante a resposta que o paciente ou a família gostaria de receber, mas sempre é possível ouvir, orientar e tratar aquela pessoa com respeito. É esse olhar mais humano que queremos ajudar a fortalecer nos hospitais de São Roque”, conclui.
Com a aprovação do projeto, caberá ao Poder Executivo regulamentar a forma de implementação e fiscalização da medida. A proposta busca tornar o atendimento hospitalar mais próximo e humanizado em São Roque, fortalecendo a relação de confiança entre pacientes, familiares e profissionais da saúde, reduzindo dúvidas e conflitos decorrentes da falta de orientação e criando uma referência clara para quem precisa de apoio justamente quando mais necessita.




















